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    Boudoir - on a day like today, no other words would do...



    nossos diagramas de venn são um coração.



    Escrito por thais às 08h18
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    Wirrow reminded me that everything is on fire.

    Luzes que piscam e tornam a visão borrada. Se a luz é para guiar por que os olhos não conseguem captar mais do que os borrões, pontos de distorção, depois de olhar para a luz?

    Nessa sala escura não existe luz. Se existem coisas que irradiam são coisas que não são iluminadas, mas coisas que estão em fogo ardente abaixo da superfície.

    Tudo está coberto de fogo, tudo tem potencial para ser luminoso. Então porque essa escuridão? Por que eu não estou em chamas? Será que não segui meu chamado, me chamusquei, fumeguei e apaguei sem que eu percebesse o que se passava?

    Se tudo tem por dentro esse fogo que eu vi uma vez há tantos anos atrás, será que queimei minhas retinas por permitir que elas olhassem diretamente para a luz tantas vezes e ficassem assim a minha visão borrada e distorcida? Ou no pior dos casos foi olhando diretamente para o fogo das coisas que eu... que eu me tornei cega? Então será que essa sala ainda é banhada de luz e sou eu quem não consegue mais vê-la?

     

    Either I am not on fire or I became blind without knowing it.

    http://www.hitrecord.org/albums/137362 



    Escrito por thais às 06h59
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    La Llorona

     

    Nada deu certo, nada deu.

    Sombras incertas, planos de outros.

    Mau amor seu, mau humor meu.

    Segura as pontas!

    Mas as pontas ferem a pele.

    Nada deu certo, lágrima verteu.

    Pulso desespero,

    Nada d’eu.



    Escrito por thais às 10h35
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    Sala de Operações

    Uma artéria leva o fluxo de vida. É elástica, molda-se ao fluir do sangue. Mais pressão, menos pressão... adaptação. Mas se chega a um ponto de exaustão pode se romper, matando o pobre corpo ao qual pertence. Assim somos nós meu amor, desgasta-se com o tempo a promessa de suportar a pressão da vida e assim não há corpo que se aguente, só ou junto. Desoxigena-se a paciência, a vontade de aproximar os corpos se sufoca. Necrose emocional e rigor amortis*: virar um amor autômato, zumbi, não é uma opção para mim. Que venha o transplante, que venha o próximo doa-dor.

     

    Para ouvir: Somewhere only we know - Keane

     

     

     

    *Trocadilho: rigor mortis e rigor amor-tis, os primeiros sinais de morte de um amor.



    Escrito por thais às 04h05
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    VAXIO TROPICAO ou WASTELAND HOME MADE ou para onde todas as lágrimas vão... ou Profundo saLdosismo.

    Salar de Uyuni - Bolívia

     

    (Quisera eu ter rima,

    cantiga das frases,

    para terminar os dias...)

     

    Minha mente, gente une.

    Céu aberto, Salar de Uyuni.

    Como espelho-céu e espelho-terra,

    Reflexos de reflexões em terra.

     

    Eu olho pequena,

    Molho os pés no salar,

    Olhos grandes de abrir, fechar, aproximar recuar,

    Molho os lábios na língua,

    Sem falar.

     

    (Peco,

    peço o céu,

    ambição particular.)

     

    Se a salina lágrima desce,

    O chão espelhado inverte e a aparenta flotar

     

    Noções aqui se fundem,

    diálogo-dialética.

    No hablar palavra;

    No Salar, lagri-Mar.

     

    Trilha: Tempo de Pipa - Cícero

     

     



    Escrito por thais às 21h41
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    Dans nos deux esprits... cê sabe. Do retorno da bulimia literária, ou mente picareta, "when you ask me how can i show you how?"

    Dentro do sonho, sempre o sonho, uma ideia.

    Melhor, lembrança. 

    Retorno, ênfase no eterno entorno. Pois entornou.

    Anos de um tratamento de silêncio quanto ao poder de uma vivissecção da vida.

    Tornei-me fria ao picar as retas.

    Colateral.

    Escolhi fender, criar na reta um caminho de espaços entre um contato de ligação e outro.

    O espaço para não saber se se segue ou se não.

    Eram olhos, nariz, boca.

    Sombracelhas principalmente.

    Fendi cada ideia de cada coisa. 

    Produzi um eu anarquico que, a despeito do que sentia, forçaria a interrupção do encontro.

    Olhos de sonolência.

    Nariz de arder perfume.

    Espuma pálida no canto da boca. 

    Grito contido, agudo.

    Silêncio.

    Tristeza.

    Ódio.

    Das sombracelhas, principalmente.



    Escrito por thais às 22h44
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    'Descriptografar' é permitir-se ser explícita - mas não descuidamente exposta.

     

    Felicidade é uma jóia que não deve ser ostentada.

    É um colar de ouro e rubis que você não deve usar ao passear a pé pelas vielas da vida.

    Quando muito noticiada, um chamariz de drama.

    Invariavelmente todas as vezes da minha vida em que eu demonstrei

    abertamente uma "radiância" de alegria pura que durasse mais,

    algum fato atropelado, causado por infortúnio ou design de queridos, aterrava toda a luz.

    Sim, não é porque é melhor amiga que não pode provocar situações que detonem uma relação amorosa hiper significativa por 

    inconsequência ou familiar que não possa acabar com as lembranças de uma experiência de vida intensamente feliz por motivos banais.

    Não é o caso de julgar. São fatos. Provocações do "destino".

    Tenho tentado - mesmo em tempos de facebook, instagram e afins - comentar menos sobre o que me faz substancialmente feliz.

    Dar ao outro o espaço de comentarista da sua história é permitir que provocações paranóides se apoderem

    de espaços mentais que serviriam tão bem para, ao contrário de tomar do outro, traçar para si a melhoria

    da relação com o objeto provocador de felicidade (trabalho, amor, família, amigos, realizações, planos).

    Mas, como tenho ainda a sorte de amigos-espelhos graças a graduação 

    e ao duro aprendizado em selecionar as relações de amizade - que matura devagar ao modo dos vinhos,

    não me faz nada mal falar de certas fontes de alegria sem temer a tradução disso com o gabar-se ou

    com algo que provoque uma escuta negativa, carregada, distorcida, com estes.

    Dia desses algo assim aconteceu. Uma amiga - psicanalista, rs - ouvindo alguns relatos da vida presente

    me disse que todo esse tempo eu parecia procurar na parceria romântica um código mais difícil do que o meu, 

    porque assim eu subjulgaria o meu em nome do Amor. "E agora parece que você simplesmente

    encontrou um desvendador de códigos", então era claro que o meu código é que era difícil, vendado, 

    mas não adiantaria alguém para subjulgar sob o meu. O ideal seria o que lesse e entendesse a função. 

    Olhasse e conseguisse enxergar o reverse engeneering do amor para a função <thais>.

    Ela foi menos poética, mas eu traduzi assim. Achei super delicada a interpretação dela.

    Quando ela sugeriu isso tudo na conversa de 20 minutos no telefone, lembrei-a de uma música do Andrew Bird que eu sempre citava, 

    "Not a robot, but a ghost" (Não um robô, mas um fantasma), em que ele diz: "I crack the codes, you end the war." 

    (Eu quebro os códigos, você acaba com a guerra.).

     

    Num mundo de máquinas, eu não sei ser robô, da cópia em massa e rigidez - adequado, 

    mas um fantasma, do lugar da fantasia e fluidez - interpretado.

    Citou metade da bíblia Freudiana e por fim não foi necessária intervenção para perceber que, assim como eu leio na música,

    é mais feliz ser um código difícil que tomou tempo para ser desvendado e que sempre irá ser atualizado 

    e que pode vir a ser reescrito, 'criptografado' de maneiras distintas, que se contentar em esconder isso abaixo de um bad code.



    <3

    Ele é o css do meu html.

    E não tem nada de binário nisso.





    *A vida é boa (avec lui). 

     



    Escrito por thais às 21h33
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    Guacamole ou "i was slicing up an avocado when you came up behind me" ou mouton ou Frida e Diego

    Sem drama, apenas tramas.
    Do lençol, do destino.
    Te sedo as agulhas, meus segredos.
    E você tece fios, não teias.
    Por isso, meu amor, tecemos tudo novo.



    Escrito por thais às 07h30
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    ColoquiLeaLismo:

    Eu fico feliz quando as suas palavras não trazem aspas.
    É que de todos é sempre tanta citação...
    Parece que o discurso pessoal é o dos outros massivamente incorporado,
    (Informações de sensação e sentimento, pasta pronta, 3 minutos. Fogo morno.)
    E se houver uma fala pessoal,
    essa, arbitrariamente, é que se destaca como uma citação,
    não o contrário.
    Se você diz: "o confete dos ventos são as folhas que caem..." para descrever a noite em que nos encontramos,
    eu saboreio e não exijo Clarice Lispector, Tati Bernardi ou Caio Fernando Abreu em uma bandeja de prata.
    Gosto quando o que você sente não é embalado pela letra de uma música,
    música não é papel de embrulho.
    Se tudo que a gente precisa é de amor,
    não precisamos de citação para o amor cru - iguaria como não existe outra,
    Cru, esse sem ser pré-cozido em nenhum outro forno, outra cabeça.
    Tem calor aqui para fazer nosso próprio livro, que os outros nos citem
    e que, somente quando necessário,
    a gente cite o que for nosso do outro.



    Escrito por thais às 12h46
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    O oásis do amor

    Os amantes - Magritte

    “Maybe you’re the same as me, we see things they’ll never see...” – Live Forever

    “Talvez você seja o mesmo que eu, nós vemos coisas que eles nunca verão...”

    +

    “I never felt this love from anyone… she’s not anyone… she’s not anyone… she’s not anyone.” – Songbird

    “Eu nunca senti esse amor de ninguém… ela não é ninguém… ela não é ninguém... ela NÃO é ninguém.”

    +

    “She is love… and I believe her when she speaks.” – She is Love

    “Ela é amor... e eu acredito nela quando ela fala.”

    =

    Para quem não é muito familiarizado, pensar em Oasis como uma banda que falava de amor pode ser estranho, mas os três pedacinhos acima são de umas de minhas músicas românticas prediletas. Cada uma delas tem uma forma pouco óbvia de expor o objeto de amor... Ora, sabemos que o romantismo tende a ser formatado... não há aulas de como amar alguém, mas há algumas convenções sociais que tentamos todos imitar, sem saber muito bem quem criou e para quê – e até mesmo se a intenção de quem criou foi a de vivência ou de ideia (O poeta não precisa dar flores se tem letras viçosas, contudo canta flores metalinguísticas).

    Voltando as músicas, a primeira, “Live Forever”, é uma declaração da transcendência que o amor gera. As sensações são exageradas e as vivências reais são recompensadas com a complacência ante aos próprios limites frente ao mundo e frente ao ser amado, e esse ser amado é um igual, um que vê as coisas que ninguém mais vê. Os amantes partilham dos mesmos óculos para ver o mundo que é deles, uma lente para cada um.

    Muitos peixes no mar, mas o que ele quer é o palhaço. A segunda música, Songbird, para mim é sobre a incrível descoberta de que o que diferencia esse ser que pra você é único, o ser amado, é o olhar sobre ele. “Ela não é ninguém” pode indicar que ela não significa nada, que não se destaca entre os outros, mas também pode indicar que ela não é apenas alguém. Ela é mais do que alguém. Ela é.

    She is Love: Quase todo conceito não palpável acaba por ganhar referências, pessoais ou culturais, que tentam torná-lo concreto. Quem pensa em amor romântico sem associar a corações vermelhos, cupido e afins? Eu acho de uma delicadeza extrema quando o autor da letra consegue transpassar todas essas referências cruzadas para uma frase simples “ela é amor”... Então não é necessário pontuar nenhuma outra coisa além do ser amado. Quer dizer, ela não é a pessoa amada simplesmente, ela É o amor. É a visão particular do amor, para ele. E se o amor é verdade porque não acreditar nela quando ela fala? rs. Não são amantes, são uma estrutura-conceito: Amor.

     

     

     

    *A vida é boa.

     



    Escrito por thais às 10h02
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    Sinta, solitária, o anel liga. A cinta-liga não.

     

     

     

     

     

    Para a concubina nada restou a não ser as lágrimas e as palavras. O que ele disse de como seria é o cetim sobre o qual nunca se reclinou e a exótica fruta fresca, que não mordeu primeiro. Para ela promessas de segunda mão, a mão que nunca será pedida – ofereceu-se toda em vão. Quando a desposada se apruma em sortilégios, a concubina crê que é forte ao responder impropérios. Pobre uma, ser mais forte do que o débil homem que a possui não é ser genericamente forte, é sê-lo apenas em comparação a este que combate na luta do tédio de uma vida frugal usando-a como escudo. E a espada? A espada é o tempo que a cada noite de se ter o amado lhe concede outras tantas de não se saber onde ele repousa. A concubina é uma areia fina que fez seu caminho por dentro de uma ostra. Não há certeza se virará perola, se causará dor ou se será apenas expelida ao final. Enquanto isso para a madrepérola, mater, mãe, os presentes não são infames cintas-ligas, mas anéis solitários a cada ano de matrimônio. Fishnets ou solitaire pearls, não há muito mais em retorno se o investidor é um covarde overseas.

     

     

     

    *A vida (não) é (nada) boa (hoje).



    Escrito por thais às 22h20
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    R.I.P ?-2012 - Realismo é o único tecido de condução que não esgarça.

    I. Antes:

     

    II.Depois:

     

    III. Porque...

     

    True, I'd give my right arm
    To keep you safe from harm
    And, true, for you I'd move to Ecuador
    And I'd keep a little farm
    Chop wood to keep you warm
    But I don't really love you anymore

    I don't have to love you now if I don't wish to
    I won't see you anyhow if that's an issue

    Because I am a gentleman
    Think of me as just your fan
    Who remembers every dress you ever wore

    Just the bad comedian
    Your new boyfriend's better than—
    'Cause I don't really love you anymore

    There'll be some day when your eyes do not enthrall me
    I'll be numb, I realize you'll never call me

    'Cause I've read your horoscope
    And now I've given up all hope
    So I don't really love you anymore...



    Escrito por thais às 12h26
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    ele deve saber que o seu amor é triste...



    Escrito por thais às 16h12
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    Sem N'exo

    Teso na contração de um músculo da face. Está preso. Os olhos seguem linhas imaginárias, como nos gibis. Linha pontilhada é linha para o corte... piscar é entrecortar o desejo, por isso a fixez, o jogo de quem pisca primeiro se torna em outro, o de quem consegue permanecer por mais tempo preso no sorriso hirto – que a pálpebra mantem quando os olhos se encontram. Você nunca ganha... tenho olhos marinhos, não se fecham nunca. Ao meu jeito comedido de dizer que te queria mesmo antes de tocar com a pele o que já era parte do mesmo tecido, da trama nossa – e os olhos confirmam, se deu o nome de bordado. Ora, um é só borda até que chegue no outro.

    Se são dois meus, dois seus, olhos, são pouco mais que três horas e apenas duas paredes, porque não se render a um encontro? Não era linha de nylon que seguia o caminho do olho de um no do outro, era uma tira de chita gigante que se deixava embalar pelo deslocamento de ar que o que se disse sobre provocava. Somos mais tropicais do que NY e LONdres.

    E os fios dos olhares tem de deixar a transparência com o passar dos dias. A tinjo eu ou atinge você?



    Escrito por thais às 20h45
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    Ele Não Vai Fazer Facebook:

    Ambivalência de muito querer é ter pouco na distância.
    Plural de silêncio é uma casa de dois com apenas um.
    Diminutivo de tristeza é proximidade.
    Aumentativo de morte é esquecimento.
    Violação do contrato é o pouco toque.
    Martírio de volúpia é a espera.
    O imperativo de vida parte do sol refletido dentro dos seus olhos.
    São raios mel alados;
    a parte do prisma que eu consigo apreender.
    Nós, de vagar¹, somos onda, mar.

    Flexão de verbo é sermos.

    Singular de amor é nós.

     


    ¹vaga: mesmo que ‘onda’, vagar: andar sem rumo, devagar: andar lento. Andemos sem rumo, lentamente.

     

     

     

     

    *A vida é um boá constritor.



    Escrito por thais às 22h48
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