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Boudoir - on a day like today, no other words would do...



Sinta, solitária, o anel liga. A cinta-liga não.

 

 

 

 

 

Para a concubina nada restou a não ser as lágrimas e as palavras. O que ele disse de como seria é o cetim sobre o qual nunca se reclinou e a exótica fruta fresca, que não mordeu primeiro. Para ela promessas de segunda mão, a mão que nunca será pedida – ofereceu-se toda em vão. Quando a desposada se apruma em sortilégios, a concubina crê que é forte ao responder impropérios. Pobre uma, ser mais forte do que o débil homem que a possui não é ser genericamente forte, é sê-lo apenas em comparação a este que combate na luta do tédio de uma vida frugal usando-a como escudo. E a espada? A espada é o tempo que a cada noite de se ter o amado lhe concede outras tantas de não se saber onde ele repousa. A concubina é uma areia fina que fez seu caminho por dentro de uma ostra. Não há certeza se virará perola, se causará dor ou se será apenas expelida ao final. Enquanto isso para a madrepérola, mater, mãe, os presentes não são infames cintas-ligas, mas anéis solitários a cada ano de matrimônio. Fishnets ou solitaire pearls, não há muito mais em retorno se o investidor é um covarde overseas.

 

 

 

*A vida (não) é (nada) boa (hoje).



Escrito por thais às 22h20
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R.I.P ?-2012 - Realismo é o único tecido de condução que não esgarça.

I. Antes:

 

II.Depois:

 

III. Porque...

 

True, I'd give my right arm
To keep you safe from harm
And, true, for you I'd move to Ecuador
And I'd keep a little farm
Chop wood to keep you warm
But I don't really love you anymore

I don't have to love you now if I don't wish to
I won't see you anyhow if that's an issue

Because I am a gentleman
Think of me as just your fan
Who remembers every dress you ever wore

Just the bad comedian
Your new boyfriend's better than—
'Cause I don't really love you anymore

There'll be some day when your eyes do not enthrall me
I'll be numb, I realize you'll never call me

'Cause I've read your horoscope
And now I've given up all hope
So I don't really love you anymore...



Escrito por thais às 12h26
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ele deve saber que o seu amor é triste...



Escrito por thais às 16h12
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Sem N'exo

Teso na contração de um músculo da face. Está preso. Os olhos seguem linhas imaginárias, como nos gibis. Linha pontilhada é linha para o corte... piscar é entrecortar o desejo, por isso a fixez, o jogo de quem pisca primeiro se torna em outro, o de quem consegue permanecer por mais tempo preso no sorriso hirto – que a pálpebra mantem quando os olhos se encontram. Você nunca ganha... tenho olhos marinhos, não se fecham nunca. Ao meu jeito comedido de dizer que te queria mesmo antes de tocar com a pele o que já era parte do mesmo tecido, da trama nossa – e os olhos confirmam, se deu o nome de bordado. Ora, um é só borda até que chegue no outro.

Se são dois meus, dois seus, olhos, são pouco mais que três horas e apenas duas paredes, porque não se render a um encontro? Não era linha de nylon que seguia o caminho do olho de um no do outro, era uma tira de chita gigante que se deixava embalar pelo deslocamento de ar que o que se disse sobre provocava. Somos mais tropicais do que NY e LONdres.

E os fios dos olhares tem de deixar a transparência com o passar dos dias. A tinjo eu ou atinge você?



Escrito por thais às 20h45
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Ele Não Vai Fazer Facebook:

Ambivalência de muito querer é ter pouco na distância.
Plural de silêncio é uma casa de dois com apenas um.
Diminutivo de tristeza é proximidade.
Aumentativo de morte é esquecimento.
Violação do contrato é o pouco toque.
Martírio de volúpia é a espera.
O imperativo de vida parte do sol refletido dentro dos seus olhos.
São raios mel alados;
a parte do prisma que eu consigo apreender.
Nós, de vagar¹, somos onda, mar.

Flexão de verbo é sermos.

Singular de amor é nós.

 


¹vaga: mesmo que ‘onda’, vagar: andar sem rumo, devagar: andar lento. Andemos sem rumo, lentamente.

 

 

 

 

*A vida é um boá constritor.



Escrito por thais às 22h48
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Rapinhas II - Relojinho

Atraso: Viu o que liquefez comigo? Há lembrança e há horas, mas se há demora, meu bem, ânsia se confunde com vazio. <Lágrimas.

Pontual: São muitos pontos atuais, mas não retenho se não retiver. Apontamos para o mesmo ponto ou o seu apontar é apenas deixar mais afiado meu pesar? <Tormentos.

Adiantado: Odeia adiar, mas eu só sei viver assim. Viveremos adiando o ódio? Eu te adianto. <Tantas Desilusões.



Escrito por thais às 23h42
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“Uninspired in so many ways… we’ve parted, this sucks huh? my little bird?” ou John Cusack makes me lie ou Para o psicanalista ou Deleuze e Freud ou Orange Appled.

O despertador toca – mas não eram ainda 3 horas da manhã a duas piscadas atrás? Porque eu ainda lembro de Coldplay tocando e nós cantando junto, olhos e bocas. Um se assusta e pergunta o que é isso, outra esclarece o nome e a função “Cocteau Twins, são oito da manhã... é o meu despertador”. O um ri, a outra ignora – não são todos os que entendem. Acordar é cair, seguir o coelho e abandoná-lo no caminho ao perceber que o buraco pode levar além. E porque entendemos as mesmas teorias, você me quis na prática (Heartbeats – Jose Gonzales). Um e-feito sobre o que você fez da sua psicanálise e eu da minha vida (Knife – Grizzly Bear). Penumbra, “Hounds of Love – Kate Bush, são nove horas.  – O seu jeito de acordar é engraçado...”. Isso é um chiste, mas não ria, o pesquisador sou eu, a cobaia é você (muda-se o pronome e nos entendemos bem). O encanto mitológico do chuveiro. “Eu gosto de ouvir música no banho, isso é Good Books”. Sua mãe e meu Freud, “Tenho de correr para casa” (Ice Cream – New Young Pony). Meu anti-de-expor e você édipo todo “Já eu não quero que você me deixe na porta, mas na padaria” (White Light Generation - Ladytron).

Fomos feitos para as linhas de análise e para o linho do lençol. Para a discussão acadêmica de corpos-lugares – a cama está feita. Esquece meu nome, insta que eu diga: Thais, Thais, Thais – meu Massanet desesperado. Queimo Alexandria porque este é o seu nome em minha mente... muitos livros, queimam-se todos. Fumaça. A destruição letrada me atrai. We will be the death of ourselves.

Mas enquanto eu experimento (Deleuze), você tenta lembrar (Freud).



Escrito por thais às 23h27
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Rapinhas I

A Metamorfose: O inseto de alguns milímetros ganhou notoriedade, seja pelo cansaço pós-jornada de trabalho, seja pelo efeito amortecedor dos espaços pequenos em que você (que como eu pensa muito em tudo, infelizmente) quase sempre cai em uma autoanálise no espelho – ah, o desconforto de se olhar nos olhos quando há questões na alma, enfim... O inseto estava sobre o espelho com a barriguinha ‘exoesquelética’ sendo refletida. Estava imóvel. Pensei comigo se era possível aos insetos morrerem-se agarrados às coisas e assim ficarem, contra a lei da gravidade. Pensamentos profundos... rs. Moveu uma patinha, estava vivo. “Aos filósofos e aos insetos é dado o direito a imobilidade autocontemplativa”, sorriso. Aos outros humanos resta apenas fugir da contemplação – “tenho pressa, estou atrasado”, disse o coelho – e, como o pequenino inseto, olhar para suas barriguinhas no espelho. É, preciso de dieta.

High Fidelity: Não me derreti pelo sorriso solar, mas pela gargalhada na penumbra.

O Mímico Equilibrista: Uma história, duas, e quando há algo que demonstre que vivemos antes de nos conhecermos há uma pausa e compressão de lábios minha ou uma coçada na sobrancelha sua, a depender da vez de quem fala. Como colecionadora de tiques, não me desfaria dos seus. Como conhecedora dos meus, temo que a exibição seja longa demais para você.



Escrito por thais às 23h17
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Chaleur Humaine

Arabesco noturno, duas luzes. Quando é mesmo e em que se deve deitar? Há sentimento que os deixa acordados e somente razão para dormir. Prolongar é início de morte, e para aquelas duas luzes, a morte é quando a chama comungada tem de se por em repouso – é sabido que uma chama repartida em duas pode manter fogo, mas não ilumina o mesmo. Juntas o calor acumula e conserva... somente um pode tocar o outro porque não há quem mais acerte na temperatura. E os dois tocam. O som de uma é silêncio ou escrita, o som do outro é exposição e sinfonia. A única coisa que ousaria tocá-los é o que em todo tempo incomoda por deter um poder intenso. Deixar passar, reter em um dos lados... a porta que recortada por arabescos, insiste que já é tempo de uma das chamas passar. Mas essa guardiã se esquece: o recorte permite o acesso, chamas sempre acham um chemin.

 



Escrito por thais às 18h07
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UFOp:

E o menino ao lado tem os pulsos soltos.

Não. Uma vez foram.

Agora costurados, algo pende.

Há linha nas mãos.

E agulha?



Escrito por thais às 18h04
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The Rip Tide:

A primeira escuta foi uma completa sensação de vazio. Desapontamento. As subsequentes foram demonstrando nuances. Escutar um álbum com tantos instrumentos no fone comum de um mp3 player é um sacrilégio. No som mais potente, o coração palpitou mais rápido com o instrumento-elefante, vulga tuba. Há sempre um correspondente animal para cada instrumento. Um devir-animal na música. Nada mais Deleuziano. Em retorno, uma inconstância de modernidade dos sintetizadores e rudeza da bateria simples. Lo-fi, eles dizem. Eu digo música de alma bêbada e idosa.

A Candle’s Fire: qualquer coisa saída de um anime medieval. Se alguém souber da existência de tal coisa... Um contador de história. “Não se esqueça que o fogo de uma vela é apenas uma chama”, ainda não sei porque essa frase tomou meu coração de assalto. Piromania conceitual. Terceira predileta.

Santa fe: “Sign me up, Santa fe!” O primeiro contato foi com a versão ao vivo e muito mais World Music, mais acordeão, mais Gulag Orkestar, estranhamento... Isso é Realpeaple ou Beirut? Ainda prefiro a versão antiga. Quarta predileta.

East Harlem: A mesma situação da anterior, uma versão mais confortável ao vivo. A letra da música é um charme cotidiano como em Mimizan. “Ela está esperando que a noite caia. Que caia, eu nunca vou chegar a tempo.” E esse parece o sentimento do álbum... nunca  se vai chegar a responder a expectativa. Nos 2:40 min, um corinho delicioso de acompanhar cantando... Vale a música. Segunda predileta.

Goshen: Uma das mais elogiadas das que vazaram antes do lançamento. Arranjos deliciosos, mas eu proponho uma troca. Adele essa música faria mais sentido com você cantando. A voz do Zach Condon não chega. E a melodia é linda, fora o excesso de bateria de banda de marchinha, banda militar. Não entendi a grande coisa. Nona preferida.

Payne’s Bay: Comparações com Sufjan Stevens e Belle and Sebastian por todo lado. Reclamações de excesso no solo de metais. Mas na letra ele diz: “Obstinado hoje, eu tenho estado obstinado”. Ironia much? Não vejo Sufjan ou Belle and Sebastian, vejo uma amorfidade genérica. Mééh. Oitava preferida.

The Rip Tide: Arrepios. Uma melodia tão linda... linda. Muito tempo que não me deparava com uma melodia sólida assim. Apenas uma coisa incomoda, me lembra o Guarani. Sim, a ópera brasileira. De longe a melodia principal casa, na minha mente, com a parte mais conhecida do Guarani. Nesse momento eu penso, é mesmo genialidade ou recorte? Bom, as opções não se anulam. O primeiro momento do álbum em que a modernidade do sintetizador não parece um pouco deslocada. Possivelmente porque é uso de apoio. Holland, finalmente uma equivalência. Primeira predileta, sem dúvidas.

Vagabond: Um dia o pequeno Zach Condon achou um catálogo de estereótipos franceses, o decorou by heart e jurou que, apesar de caipira americano, rs, se tornaria um daqueles. A música é uma delícia... No 1:48, uma sonata romântica no meio do que parecia uma batucada de Mardi Gras meets Vaudeville, e a partir daí a música ganha tamanho, palmas e vale a espera dos quase dois minutos para se tornar um uso criativo de um estereótipo. Sétima predileta.

The Peacock: Letra gostosa de cantar junto pelo jogo com o som das palavras em repetição, sons estranhos bem no fundo da gravação, parece que enquanto esta se gravava em um canto, no outro algum músico dedilhava algo, que no máximo do som ás vezes se faz perceber. Coisas de vício. Uma música tão limpa tinha de trazer algum ruído oculto, afinal de contas “ele é o único que conhece as palavras”. Melodia linda também. Quinta predileta.

Port of Call: Caberia com encaixe perfeito em The Flying Club Cup. Eu faria um buraquinho nela rastejaria para dentro e morreria confortável. Para mim é música para rodopiar. A letra é esperançosa... “Seja razoável comigo... eu posso devanear às vezes… (no sentido de admitir que se devaneia, se perde enquanto o outro demanda atenção)”. E sinceramente, para uma devaneadora profissional, isso é amor. Sexta predileta.



Escrito por thais às 18h02
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12/08/11

“All I want is the best for our lives my dear and you know my wishes are sincere…”

Uma pedra milimetricamente empilhada sobre a outra. É tempo que rir do vento, tantas pedrinhas juntas são um rochedo. Uma pedra desloca-se a esquerda, é a primeira, é tanto peso sobre ela... ela deve merecer ser mais fora que as que resistem dentro do contato direto com as outras pedras, desistindo penosamente das angulações distintas. Essa pedra que se desloca não entende que para o rochedo parecer ser há de haver uma certa simetria de base, insta assim o vento a rir por último. Rid it.

“What melody will lead my lover from his bed?”

Esforço. Um acredita que ser bom o tempo todo é garantia de se dar bem, a outra não acredita em muita coisa, mas o que vê é maldade. Sempre. Seriam pólos? Seria esse o reconhecimento na distinção tão intrínseca? Bom é aquele que sabe o que é ser mal. Mal é o que acredita que é bom de um jeito próprio. Mas se um bom e um mal juntos é a tentativa de equilíbrio, é a utopia que os une – como se fossem apenas essas as binaridades. Portanto não é uma dupla, casal, parceria, é outro experimento.

 

“She’s waiting for the night to fall, let it fall I’ll never make it in time…”

Anacronizar o encontro: sensações são datadas, não se engane. Uma primeira experiência resiste em um registro inconsciente, então a não-surpresa não é uma desqualificação da experiência atual é apenas uma indicação de que se chegou tarde demais, aquela sensação toda não pertence mais a esse tempo. E algumas coisas só servem feitas a tempo.

 

“The Joys of losing weight.”

Faça as pazes com o fruto de baixa caloria, este não te leva ao inferno. Maçã verde para a mulher madura.

 

 

 

Entre parênteses fragmentos de Beirut.

 



Escrito por thais às 10h56
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10/08/11

“It’s in the water, baby. It’s between you and me.”¹ Ou Pimenta tem de arder. Ou Grey Gardens². Ou “Sim, são três letrinhas todas bonitinhas, fáceis de dizer, ditas por você. ”³

 

Meu pai sempre dizia que é importante viajar. Quando mais nova não entendia que além do curtir a viagem no sentido de aproveitar, curte-se o humano de cada lugar, a experiência adquirida vai se encorpando em cada cidade nova pessoalmente desbravada. E com o tempo curte-se a experiência como curte-se a pimenta – mergulhado no outro um novo gosto, mais ou menos acentuado, se atualiza. Em uma cidade tão pequena, de tantas pessoas que nunca virão ou verão possibilidades de ver o mundo com outras cores eu passo a compreender de maneira mais clara a importância de entender a dimensão do mundo, as possibilidades. Não viajei tanto assim em comparação com muita gente, mas peregrinei. Há um filósofo que me foge a mente o nome que faz a comparação turista e peregrino, que, em uma explicação rasíssima, poderia ser explanado como: turista é a pessoa que vai para conhecer o lugar mais não o apreende, só quer mesmo a curtição dos pontos turísticos, não se deixa invadir e ser invadido por realidades adjacentes. O peregrino por sua vez faz da viagem, da estada e da partida um exercício de encontro... encontro de si com o externo ao mesmo tempo que não dualiza o externo do interno entendendo o encontro como meio-meio a meio-meio que não se binariza, é. Percebendo o quanto me deixei curtir em tantos meios, em tantos encontros peregrinados, me incomoda a permanência sem encontro. Aí é tempo de temperar outras terras e alterar a acidez do gosto. Outros pratos, outras combinações. Sim.

 

¹Post Blue – Placebo

²Filme.

³Três Letrinhas – Marisa Monte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por thais às 10h56
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Cenário: exposição de arte. Obras: Zizi Sapateiro. Tela: Papai noel e os cavalos marinhos. Expressão: Olhos sobre tela!

Depois do passeio exploratório de Mariana e Ouro Preto, voltei para até-então-casa pensando muito no passado. Na dor e no prazer que gera... no masoquismo nostálgico. Sim, porque você, caro leitor, rs, já deve estar mais do que bem alimentado desse sentimento ao ler as minhas escrituras (escritos do que não sempre é meu por posse física, no máximo posse emocional, posse-lembrança). Tanta gente cultuando o antigo, procurando a beleza do que um dia já foi exploração, mas que hoje é apenas contemplação mística. Igrejas antigas, ouro, pinturas. Pessoas. Sensação de clausura ao pensar nos escravos que levaram cada pedra a cada morro a ser santificado com uma das mil e umas igrejas. Especial, santo corriqueiro. Em analogia – porque descobrimos nessa viagem que há sempre uma analogia da analogia da analogia; essa é a nossa. – cada pedra daquela como lembrança sedimentada no coração, na mente de cada um, utilizou-se de escravos para levá-las ao patamar de atemporais. Alguns desses escravos que levaram as pedras do sempre-lembrado foram amores, parentes, outros a gente mesmo se encarregou... Todo esse passado não tem valor em cada personagem, em cada cara, levando ao contexto de relacionamento, mas ao valor de persona atribuído a cada um. Sinceramente, só deve haver um que me faça falta nele mesmo, a grande maioria é espaço e falta apenas no conteúdo programático das lembranças. Gente que eu nem reconheço mais, e nem quero me dar o trabalho. Isso não é triste, é como as igrejas antigas... a contemplação mística é linda... só não faz muito sentido sentar e rezar pela dor dos que tiveram que construí-las, apenas dançar pelo alívio de suas mortes-repouso. La mort serait la délivrance... les morts sont ici pour danser!



Escrito por thais às 13h00
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Andar(em círculos, viver na)ilha.

Paralaxe, magia do Romani: Eu fiz medo no homem. Tinha medo que eu lhe seguisse e escrevesse os passos. Magia sem cor, talvez assim sem bem e mal, transparente, prender-lhe-ia na linha curva de uma reta. Não se sabe se tem fim. Trepidante vapor de mapa que só se desenhasse pelas minhas mãos ao redor, ora um pouco a frente, ora um posto a trás de cada pé; sina de andar ilha em mar de passos.

Eu, Gitan, vivo com você: Potência de sentir a vibração nova de cada ainda-não-sentido, não-visto, recém-desejado = medo de me encantar demais pelo que se passa, perder o trilho e ter de viver para sempre no passeio, vulgo carrossel-sarjeta.

“- Aguarde o sinal de andar, filha.”

 

Leia-se aqui um sinal de diferença.

 

 

23

LES CHAMPS MÁGNETIQUES

FIN.

 

 



Escrito por thais às 12h50
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